sexta-feira, 25 de outubro de 2013

#1

Já passou imenso tempo desde a última vez que aqui vim, e hoje senti imensa falta de escrever.
E há tanto para contar, tanto que já aconteceu, já mudei tanto, a minha vida já deu tantas voltas. Primeiro, tive um dos melhores verões da minha vida. Passei-o basicamente entre Bragança e Porto, não fui para fora de Portugal como costumava, e mesmo assim foi inesquecível.
Conheci a pessoa mais espetacular e que me faz feliz como ninguém consegue nem nunca conseguiu. É verdade que o conheci antes das férias, mas o facto de ter passado manhãs, tardes, noites e momentos incomparáveis com ele tornaram-no a pessoa mais importante da minha vida sem sequer me aperceber, e em muito menos tempo do que seria esperado.
Aproveitei os dias ao máximo com os meus amigos, porque sabia que seriam os últimos momentos mesmo que teria para aproveitar com eles, porque infelizmente iriam todos para a faculdade no início do ano e eu iria ficar cá por mais um ano.
Mas nem assim isso me livrou de me sentir sozinha, triste, deprimida e carente. E é por isso que hoje senti uma necessidade enorme de escrever tudo aquilo que me tem abalado desde que eles foram embora.
É realmente triste ter de passar os dias sem eles, e sentir-me sozinha mesmo dentro do grupo de amigos que tenho cá. Só que não é o mesmo e nunca vai ser, e por muito que tente convencer-me que as coisas não mudam, a verdade é que elas alteram-se mais rapidamente do que nós pensamos, sem sequer podermos dar-nos conta disso. Por isso tenho saudades de sair das aulas e ter pessoas que nunca me abandonavam e que tornavam sempre os meus dias mais divertidos, de ter pessoas que se preocupavam não só quando precisavam mas em todos os momentos. De ter alguém que compreendesse quando é que eu precisava de apoio e quando é que precisava de espaço, de ter alguém com quem contar em qualquer momento e circunstância, sem desculpas e mentiras.
E como é que é suposto habituar-me a viver sem ele todos os dias? Depois de passarmos todos os dias juntos, de fazermos tudo juntos, de criarmos uma cumplicidade, uma amizade e um amor tão grande?
E custa tanto não conseguir dizer-lhe estas coisas para não chorar e para aproveitar os poucos momentos que tempos a sorrir e a pensar apenas naquilo que nos traz felicidade... E mesmo assim são inevitáveis os choros semanais, ou diários, ou simultâneos, simplesmente porque é difícil habituar-me ao facto de o ver raramente, de o sentir longe a toda a hora e não conseguir encurtar a distância mesmo com o desejo incontrolável que tenho de o fazer... E custa tanto não ter direito aqueles miminhos nos maus dias, ou apenas de ouvir umas piadas que afastariam todo o mal e a dor do mundo para bem longe, ou ainda só de poder senti-lo ao meu lado e saber que não iria embora dentro de pouco tempo. Custa, porque sei que tudo o que desejo é impossível e não consigo lidar bem com isso, não consigo habituar-me.
Porque sei que para voltarmos a ter aquilo que tivemos vão ter de chegar as férias de Verão outra vez e falta tanto, tanto tempo... E tento imaginar o futuro e imagino-o comigo, mas não consigo imaginar a dor a desaparecer, porque sei que não vai mudar muita coisa.
E tenho tanto medo de o perder por saber que tudo é novo para ele, e que o novo é tão tentador, e que as tentações são tantas, e que eu estou tão longe, e que por momentos se pode esquecer e depois será tarde demais. E confio, mas a confiança não invalida a insegurança.
Sempre soube que ia ser complicado, mas nunca achei que fosse tanto, que doesse tanto no coração e que tivesse de conter tudo para mim porque ninguém compreende ou quer compreender, porque ninguém à minha volta sabe o que é, porque é tudo tão simples e eu tenho tanto a mania de complicar as coisas.
E estou a divagar e as lágrimas caem-me porque morro de saudades e ainda falta uma semana, e vai saber a tão pouco que nem isso me vai apagar a tristeza.
Tenho saudades tuas, tenho tantas saudades tuas, de nós, do quão atrasados somos juntos e de como me fazes sentir tão completa e realizada.
Preciso de ti, é incontornável