segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Avó

Sempre que me pedem para falar de alguém que seja um exemplo e uma inspiração para mim, penso na minha avó. Não sou o tipo de adolescente que tem vergonha dos avós ou que não passa tempo com eles. Pelo contrário, quem me dera que a minha avó estivesse aqui em Bragança e que eu tivesse a oportunidade de lhe ir dar um beijinho sempre que me apetecesse. 
Admiro-a por muitas razões. Pela força que tem, pelo carinho que demonstra e pela alegria que transmite. Parece estranho mas eu lembro-me perfeitamente do amor que ela sempre me teve, mesmo quando era pequenina. Lembro-me de pequenos gestos, de como ela sempre esteve presente para me ajudar. Lembro-me de como era uma pessoa tão dinâmica e ativa, como a invejava por passar o ano a viajar e por conhecer o Mundo todo. Lembro-me como ansiava crescer para poder passar a ir com ela para todo o lado. Lembro-me de tudo o que ela fez para que a minha família se mantivesse unida, e é com orgulho que olho para nós e vejo que ela conseguiu. 
Por isso é que dói ver como a vida nos prega partidas e nos vai afundando aos poucos. Uns mais tarde, outros mais cedo, mas a cada dia que passa há ameaças eminentes às quais ninguém tem capacidades de escapar. Começou por pequenos pormenores, pequenos esquecimentos, desequilíbrios e agora apresenta-se como um verdadeiro problema. O que custou foi ver tudo a acontecer tão rápido. Num ano estava tudo bem, e gradualmente no ano a seguir nada era igual.
O orgulho que tenho na grande pessoa que é a minha avó é incomparável com qualquer outro. E apesar da sua alegria se ir apagando lentamente, eu sei que ela também tem orgulho em mim. Sei que os 6 netos e 3 filhos são o melhor que ela tem. E faço tudo para a ver sorrir, mas tudo mesmo.
E é por isto tudo que tenho um medo incontrolável de a perder. Um medo que me corrói por dentro e que a cada dia que passa se torna maior. Um medo que hoje cresceu mais do que eu poderia imaginar. 

Oh, a vida é tão lixada.

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